top of page
Buscar

Tempo de Deserto

  • betaniajavenissi
  • 28 de jun. de 2021
  • 3 min de leitura

Vivemos um tempo de deserto… “O deserto é o lugar do silêncio, da pobreza, onde permanecemos desprovidos das ajudas materiais e nos encontramos diante das questões fundamentais da vida. Somos impelidos a ir ao essencial e, exatamente por isso, é mais fácil encontrar Deus” – Papa Francisco. Mas o deserto é inclusive o lugar da morte, onde não há vida, e é o lugar da solidão onde o homem é tentado. Jesus vai ao deserto, e ali padece a tentação de deixar o caminho indicado pelo Pai para seguir outros caminhos e escolhas, mais fáceis e mundanas – Lc 4,1. Matutar sobre as tentações às quais Jesus foi submetido no deserto é um convite para responder a uma pergunta fundamental: o que conta verdadeiramente na minha vida? Na primeira tentação, o diabo propõe a Jesus que transforme uma pedra em pão, para saciar a fome. Jesus afirma que o homem vive “também, mas não só” de pão: sem uma resposta à fome de verdade, à fome de Deus, o homem não se pode salvar. Na segunda tentação, o diabo propõe a Jesus o caminho do poder: condu-lo para o alto e oferece-lhe o domínio do mundo; mas não é este o caminho de Deus: para Jesus é evidente que não é o poder mundano que salva o mundo, mas o poder da cruz, da humildade e do amor. Na terceira tentação, o diabo propõe a Jesus que se lance do pináculo do Templo de Jerusalém para se fazer salvar por Deus por seus anjos, ou seja, que faça algo de sensacional para pôr à prova o próprio Deus; mas a resposta é que Deus não é um objeto ao qual impor as nossas condições: é o Senhor de tudo. Qual é o núcleo das três tentações que Jesus sofre? É a instrumentalização Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, glória e sucesso. E, portanto de se colocar no lugar de Deus, removendo-O da sua existência e fazendo-O parecer supérfluo. Então, deveríamos interrogar-nos: que lugar tem Deus na minha vida? O Senhor é Ele, ou sou eu? Superar as tentações de submeter Deus a nós mesmos e aos nossos interesses e converter-se à justa ordem de prioridades do Reino, reservar a Deus o primeiro lugar, é um caminho que cada cristão deve percorrer sempre de novo. “Converter-se”, um convite que ouvimos muitas vezes, significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreta da vida. Converter-se é deixar que Deus nos transforme; deixar de pensar que nós somos os únicos construtores da nossa existência; significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e que só “perdendo” a nossa vida nele podemos ganhá-la. Isto exige que façamos as nossas escolhas à luz da Palavra de Deus. Hoje não podemos ser cristãos somente porque nascemos numa família cristã e vivemos numa sociedade de raízes cristãs. É preciso todos os dias, renovar a escolha de ser cristão: reservar a Deus o primeiro lugar, diante das tentações que uma cultura secularizada lhe propõe continuamente, diante do juízo crítico de muitos contemporâneos. Neste tempo de “deserto” é preciso renovar nossa conversão. A tentação do fechamento egoísta em nós mesmos corresponde às tentações de Jesus: alternativa entre poder humano e amor pela Cruz, entre uma redenção vista unicamente no bem-estar material e uma redenção como obra de Deus, na qual reservamos o primado na existência. Converter-se significa não se fechar na busca dos próprios interesses e satisfações, mas fazer com que cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor se tornem o mais importante.

Tácito Coutinho – Tatá – Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

 
 
 

Comments


Comunidade Betânia Javé Nissi ©  2016 - 2019

bottom of page