Jogos Olímpicos
- betaniajavenissi
- 28 de jul. de 2021
- 2 min de leitura

Estamos em plenos Jogos Olímpicos… Nosso horário virou de “ponta cabeça”, o Japão é do outro lado do mundo. O fuso horário deixa confuso o horário, o que é hoje lá é amanhã aqui ou ontem, já não sei mais… As notícias vão chegando, medalhas conquistadas, decepções… Medina “garfado pelos juízes”, atleta contundida na hora “H”, surpresas e heróis anônimos, medalhas… Mas o Brasil não “faz feio”… Mobilizados centenas de repórteres e cronistas, tecnologia de ponta, cobertura monumental, especialistas, boletins e coberturas, esportes desconhecidos por aqui são “descobertos”… as Olimpíadas são consumidas avidamente… Fico matutando… Esta é uma oportunidade para conhecermos a realidade do esporte nacional que, apesar do descaso e pouco investimento, é capaz de produzir medalhas e heróis… Admiro aqueles que não se deixam derrotar pelo pessimismo e lutam por seus ideais, não se deixando abater pelas dificuldades e descasos… Lastimo aquilo que não foi, e acredito que não será, feito para favorecer o desenvolvimento do desporto nacional que tanto bem faria à nossa juventude. Sabemos que as medalhas conquistadas, pouco renderão para alterar o quadro esportivo que conhecemos e as Olímpiadas de Tóquio serão lembradas na próxima repetindo o mesmo discurso… Penso que os milhões desviados aplicados em campanhas eleitorais, pagamento de propinas e favorecimentos, se empregados em programas sérios de apoio e desenvolvimento de atletas, teríamos um quadro de medalhas melhor. Entendo ainda que conquistar as medalhas é só uma parte, e a menor, de um processo de formação de atletas que seria possível se tivéssemos realmente uma política de incentivo, financiamento e desenvolvimento dos esportes. Os comentaristas são unânimes em afirmar que faltam incentivos e investimentos na “base”. E a “base” é a educação, a escola… Ocasionalmente despontam os “heróis medalhistas” que, contra toda a lógica perversa, venceram e venceram mais do aos seus oponentes ou desafios, venceram o “sistema” que só os reconhecem “depois”, raramente “antes”. Não torço contra o Brasil, não acho que o “pior é o melhor”, como se isso fosse mudar a mentalidade que parece dominar nossa classe de dirigentes esportivos. Acredito, sem um otimismo infantil e alienado, que somos um povo capaz de produzir atletas e medalhistas; que não se deixa abater pelas contrariedades e dificuldades maiores do que as normais; que é capaz de perseguir seus ideais… Admiro esses atletas, medalhistas ou não, que chegaram até os jogos olímpicos à custa de esforço pessoal, “paitrocínios”, “sangue, suor e lágrimas”. O que realmente “estranho” é o “ufanismo barato”: não é o Brasil enquanto Estado e dirigentes, não é o Brasil, enquanto “Pátria educadora”, é o Brasil enquanto “povo sofrido, mas alegre e obstinado” que merece todas as medalhas.
Tácito Coutinho – Tatá – Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi
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